Cuidar de quem cuida
Sobre o lugar da mãe no atendimento de uma criança — e por que cuidar dela é parte do trabalho.
Quase toda família que chega no meu consultório vem por causa da criança. É natural — afinal, é a criança que aparece nas dúvidas, nas crises, nas regressões, nos comportamentos que estão tirando o sono. Mas, no fundo, quase sempre quem mais precisa de uma escuta também é a mãe.
A mãe está sempre presente — inclusive quando ninguém olha pra ela
A mãe é quem percebe primeiro, quem chora no banheiro quando ninguém vê, quem leva a criança em todos os médicos, quem revisa rotina, quem pesquisa de madrugada, quem se cobra. Quem culpa, quem se acha errada. Quem está com a bateria no zero.
E quase ninguém pergunta como ela está.
Por que ela faz parte do plano
No meu jeito de trabalhar, a mãe é parte ativa do processo. Não como "fonte de informação sobre a criança", mas como pessoa com necessidades próprias. Porque:
- A maior parte das mudanças que conquistamos acontece em casa, não no consultório
- A criança aprende a regular pelas pessoas que estão ao redor — e a regulação delas começa pela da mãe
- Mãe exausta não dá conta. Não é falta de amor; é falta de combustível.
Então, em muitos atendimentos, parte do tempo é orientação parental. E orientação parental, comigo, não é receita pronta. É escuta primeiro, estratégia depois.
"Vou pra terapia ou meu filho vai?"
Essa é uma pergunta que escuto bastante. A resposta verdadeira: não é ou. Tudo pode caminhar junto.
Se você se reconhece exausta, sobrecarregada, em dúvida sobre tudo — talvez seu próprio espaço terapêutico esteja pedindo atenção. E isso também é cuidar da sua criança. Ninguém cuida bem com o tanque vazio.
Cuidar da criança e cuidar de quem cuida dela são o mesmo trabalho. Não dá pra fazer um sem o outro.
Se isso fez sentido, me chama pra conversar. A gente pensa junto qual o melhor caminho.